Com a maioria das empresas portuguesas a recorrer ao teletrabalho no âmbito do Plano de Emergência Nacional em curso, é importante realçar que existam muitos profissionais que continuam a sua atividade presencial e que não podem cessar estas mesmas funções. Falamos, especificamente, dos Trabalhadores dos Serviços de Transportes, que garantem o movimento de pessoas e mercadorias entre locais, um serviço essencial para o funcionamento em pleno do país.

As considerações da Direção Geral de Saúde (DGS) estão a ser aplicadas a todos os trabalhadores deste âmbito, designadamente, a implementação de planos de contingência, o cumprimento de todas as medidas de higiene e etiqueta respiratória, assim como a monitorização ativa de sintomas e sinais físicos de alerta. Paralelamente, os gestores de infraestruturas e operadores garantiram a implementação de protocolos de higienização dos transportes e de serviços adjacentes (ex. lojas de apoio, bilheteiras, equipamentos, etc.), bem como a dinamização de várias medidas de diminuição do risco de contágio dos seus trabalhadores. Importa igualmente relembrar, no âmbito do atual estado de emergência e consequente limitação e controlo da circulação de pessoas, que os passageiros dos transportes foram também alertados para manter distâncias de segurança e evitar viagens desnecessárias.

Apesar das medidas de segurança acima referidas estarem em curso, o surto de COVID-19 impõe algumas vulnerabilidades mentais adicionais aos Trabalhadores dos Serviços de Transportes, nomeadamente o medo de infeção pela manutenção de uma certa exposição social no âmbito laboral e, consequentemente, a possibilidade de constituir um agente de contágio para a família e restante rede social. Um certo clima de insegurança no trabalho em termos de exposição aliada a uma maior dificuldade em conciliar as necessidades laborais e familiares constitui-se, assim, como um fator de stress e de risco para a saúde mental, designadamente ao nível da ansiedade e do burnout.

Relembramos, no âmbito da saúde mental no trabalho, que a vivência de stress é uma reação normal e universal perante esta crise e que apesar de todos nós reagirmos de maneiras diferentes face à mesma, existem algumas estratégias enunciadas pela Ordem dos Psicólogos Portugueses que os profissionais poderão adoptar durante este período:

  • Controlo do ritmo: Manter-se informado e atualizado por curtos períodos de tempo, consultando fontes de informação credível (DGS) e evitando as notícias falsas. Concentrar-se no que é esperado de si no trabalho e que está a contribuir para o bem coletivo de todos, respeitando sempre o seu ritmo pessoal e limites estando assim atento a sobrecargas.
  • Apoio de colegas e líderes: Promoção do optimismo no trabalho – elogiar os colaboradores à sua responsabilidade que se encontram em funções presenciais, gera motivação adicional e combate o possível desalento. A cooperação entre colegas também é de extrema importância – facilita a partilha de preocupações, medos e experiências, tal como ajuda a aumentar a confiança e a diminuir a sensação de isolamento. Privilegie os meios digitais para comunicar com os demais e solicitar apoio.
  • Procurar ajuda: Estar atento a sintomas como hipervigilância, irritabilidade, dificuldades de concentração, pensamentos e imagens intrusivas, alterações na regulação ou tristeza significativa prolongada – é importante não sentir receio de pedir ajuda exterior caso identifique estes sintomas ou se sinta preocupado e esgotado com o trabalho.

No âmbito da sua cultura de prevenção da saúde no trabalho e reconhecendo que o surto de COVID-19 se encontra a alterar o estilo de vida dos trabalhadores pertencentes às suas Empresas-Cliente, a Ecosaúde encontra-se a implementar um novo projeto de rastreio e monitorização de variáveis ligadas à saúde mental, de forma a dar uma resposta atempada e eficaz a possíveis situações de maior risco neste período mais exigente do ponto de vista psicológico que estamos a atravessar.

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Diogo Gonçalves, Psicólogo Clínico e da Saúde